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Thursday, 10 February 2011

Anna dello Russo vestida de... roupas normais???

Sabe aquelas piadas que faziam sobre a Lady Gaga, que ela só chocaria *de-ver-da-de* quando aparecesse de jeans e camiseta? Pois o mesmo pode ser aplicado à Anna dello Russo.


 Anna dello Russo no dia-a-dia...


A editora-chefe da Vogue Nippon, se bobear mais conhecida pelo seu jeito super extravagante de se vestir que seu trabalho, apareceu em uma foto no Twitter de jeans, suéter cinza, cachecol simples e botas.


... e Anna dello Russo "vestida para chocar".


Pessoalmente acho que muitas vezes ela exagera, mas dá pra ver por essa foto que ela é chique e tem estilo, mesmo de jeans e suéter. Aliás, passei a respeitar muito mais agora. E, pra quem não acreditava que essa temporada de inverno que começa no Brasil (e a de verão seguinte, que já começa por aqui) tem como base o minimalismo, taí mais uma prova cabal! Menos tá sendo definitivamente mais...

Saturday, 15 May 2010

Muji


Eu nunca imaginei ter idéia fixa por uma escova de dentes.
Mas foi assim, eu não comprei uma. Não sei porquê, custava menos que 3 Euros minha gente.


O alvo de minha obcessão é da Muji. Marca japonesa, mistura de Ikea com American Apparel. Mas sem o charme glam-hipster da americana, com discurso muito mais engajado que a sueca e mais idade que as duas!

O conceito da "marca" começa no nome,"Muji" vem de uma frase japonesa, "Mujirushi Ryohin" ou "produto sem marca".
E a idéia é bela. A Muji não gasta um tostão sequer em publicidade ou estratégias clássicas de marketing (por isso talvez você nunca tenha ouvido falar dela) e assim mantém uma política de preços razoáveis (super razoáveis!), mesmo usando sempre matéria prima de primeira.

Totalmente fiel `a sua filosofia, em 20 anos, a Muji silenciosamente se espalhou pelo mundo. Hoje seus produtos podem ser encontrados em Berlim, Estambul ou na design store do MoMA, em NY.


Muji na Times Square.


E por produtos, entenda, da escova de dentes mais charmosa do mundo, passando por móveis, plantas, alimentos (!), até uma versão assinada de Lego. E tudo é irresistível!



ahn?!


Os objetos poderiam ser da clássica escola germânica Bauhaus, pelas formas simples e belas, criadas com o princípio da utilidade. Mas o design é comoventemente sutíl, delicado e minimalista, como só os japoneses sabem fazer.



Eu sou apaixonada pelos meus cadernos, simples, lindos e por preços que começam com 1 Euro. Is it a great gift or what?!




E nem falamos ainda sobre as roupas da Muji.

Com o mesmo princípio, low price + no "firulas", as peças são um excelente básico.
Feitas com algodão puro, sempre delicadas, são fininhas, logo perfeitas pra você fazer mil sobreposições, combinações ou usar com aquele acessório escândalo.







Num dá vontade de sair correndo por um campo cheio de flor de cerejeira? (e depois beber uma garrafa de saquê).

E também tem a parte masculina e a infantil.


Own!

E bem, se você ainda não ficou fã, uma das útimas novidades da marca "não marca", são as bolsas ecológicas de algodão.
Sabe aquelas que substituem as sacolas de plástico, são charmosas, práticas e você tem que ter? Pois as da Muji são customizáveis.



Uma sacolinha simples por $0,95 + kit com carimbos fofos e voilá, você tem uma bolsa-ecológica-consciente-blá, com a sua cara!



e não é mesmo?!


Tuesday, 11 May 2010

Um pouquinho mais sobre o Met Ball

Ok, eu sei, foi antesdeantesdeantes de ontem, it's soo last season. Mas eu ainda preciso falar sobre o baile do Met:


"Arraza" Brasil! Francisco Costa e o minimalismo.



Isn't Sean Lennon the coolest alive guy?



Valentino num tá muito melhor sem Valentino?



Essa calda atrás que achata a silhueta, é por acaso the new black?


Porque as menores que 1,80 não podem usar isso. Safadeza das Marchesas.



Stella pode tudo.



As Rodarte sempre me fazem pensar um pouco antes de gostar. Ainda tô pensando.



Oi, nós somos o casal Ralph Lauren, você compra nosso estilo?



She did.



E bem, começando e terminando com Francisco Costa e o minimalismo:


Eu usaria essa roupa. E esse sobrenome.

Dree Hemingway



Monday, 5 April 2010

O Eclipse

Eu nunca quis ser figurinista.

Das minhas menos remotas memórias da infância, posso citar de cara 3.
Vestir os primos em todas festas famíliares pra alguma apresentação (tudo mera desculpa pra uma incursão ao maravilhoso mundo do closet de minha avó). Passar madrugadas a fio assistindo escondida filmes preto e branco, hipnotizada por Davis, Hayworth, Bergman e Hepburn(s) e finalmente, minha revolta ao encontrar uma amiga com o brinco igual ao meu numa festa de aniversário. No caso ela era a aniversariante e o brinco horrendo, com a cara da xuxa em tamanho colossal e até cabelo fake. Mas isso eram os anos 80 e depois que eles ficaram vintage a gente perdoou.

Enfim, apesar do histórico "clichê" eu nunca quis ser figurinista.
Pelo menos não que eu soubesse.
Precisei me formar em publicidade e largar uma faculdade de estilismo no meio, para entender que eu não queria comunicar ou desenhar roupas, ou pelo menos não só isso. Queria comunicar através da roupa.
Ah sim, aí eu virei figurinista. E lá se vão 7 anos.

No meu primeiro post aqui (oi, prazer, Letícia Gicovate!), quero falar sobre um dos meus figurinos preferidos ever, entre os mais mais, dos que eu quase tiro o som do filme pra ver melhor.

O Eclipse (1962)



O figurino é a arte de contar uma história, traduzir um personagem em roupa. É pensar em como aquela pessoa inventada se expressa, se mostra ao mundo, no caso aos olhos do espectador. Através do figurino fazemos a primeira leitura, o primeiro "julgamento". Sim, claro, julgamos pela aparência! (e sempre cabe nessa hora citar Oscar Wilde com "só os tolos não julgam pela superfície", ou algo parecido). Afinal, mesmo em silêncio, lêmos pelo figurino referências, preferências, idiossincrasias, status e até um ou outro mistério sobre o personagem. Alguns são tão emblemáticos que falam mais que qualquer diálogo do filme.

O que dizer então sobre o figurino de um filme da "trilogia da incomunicabilidade" de Michelangelo Antonioni?

Se como dizem, os amantes de filmes italianos são divididos em dois campos: Fellini versus Antonioni, eu sei bem por quem eu brigo. Sou uma apaixonada pela obra do cineasta-esteta, conhecido por contar histórias através do não dito, de silêncios inoportunos e perturbadores. Talvez mais um grande construtor de imagens que um grande contador de histórias, Antonioni envolvia questões existências em cenas pictórias, lindas.



O Eclipse é um filme pautado na solidão a dois entre os belíssimos, Alain Delon e Monica Vitti (Piero e Vittoria).



Assim como a fotografia, cheia de perspectivas lineares, detalhes geométricos e formas arquitetônicas, os figurinos de Bice Brichetto e Gitt Magrini, seguem a simplicidade modernista, clássica do início dos anos 60. A falta de cor traduz brilhantemente uma certa falta de perspectiva, um certo tédio, uma certa sensação de vazio que toma o expectador ao longo da narrativa. Ou não narrativa.


Bela, bourgeouis e perdida, Vittoria dá ódio de tanta elegância. Seu figurino, minimalista, sóbrio, de linhas retas e simples, contrasta belamente com sua complexidade, seu caos interno. E bem, como disse, é chique, chique, chique e charmoso de doer.


Piero por sua vez, sempre impecável é muito vanguarda, apresentando 20 anos antes a figura racional, enérgica e ambiciosa dos "yuppies". Só que com a doçura no olhar de Delon, ai ai.


"Gostaria de não amá-lo ou amá-lo muito melhor"

Este não é o meu filme favorito de Antonioni, morro toda vez que assisto A noite, o primeiro da trilogia. Isso sem mencionar Blow Up... (ok, não tem como falar de Atonioni + moda sem mencionar Blow Up!)
Mas o figurino de O eclipse, representa pra mim a nova "nova" elegância. Simples, minimalista, apoiada em linhas certas e precisas, sem excessos, mas sem perder o glamour jamais (alguém aí pensou em Stella McCartney?!). E bem, além de tudo a mulher fica com cara de "desculpa, eu não preciso de muito pra ser chique."
E bem, quer saber? Não precisa mesmo.

 
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