Queria dedicar esse momento lindo - feito pelas mãos abençoadas de Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt - para um ótimo 2012, repleto de felicidades e saúde à todos. E, dado que eu acabei de trocar palavras com Calvin Klein no bar do hotel Fasano, tô to-tal-men-te em momento celebratório. Aparentemente meu presente de aniversário vindo dos céus chegou mais cedo... [a srta. que vos fala teve o infortúnio de nascer no dia 01 de janeiro]
É isso, né? Agradecemos a quem quer que acreditemos que nos guia e que 2012 tenha Tio Karl e Tia Anna dando a graça na minha frente.
... and it's been a while. Eu já vinha batendo nessa tecla há algum tempo entre os meus amigos - e todos eles me dizendo que não, os 80 iam ficar por mais algum tempo. Esse é o resultado perverso de trabalhar com trend watching, você já tá cansado de ver aquela coisa quando todo mundo começa a *amar*. Mas essa é mais uma prova - e das grandes - que o revival dos anos 90 já está entre nós. A direção da Calvin Klein resolveu relançar o vestido branco de Cher do filme Clueless - mais conhecido como "as patricinhas de Beverly Hills" no Brasil.
Ícone de meados dos anos 90, Cher era o que adolescente dessa época queria ser - bom, tirando o fato de ser meio "burrinha" (mas acho que tinha até gente que achava isso "maneiro", voltando com as gírias da época também). A decisão foi tomada após Francsico Costa conhecer a dona da loja californiana Confederacy, Ilaria Urbinati. Ela disse o quanto admirava a marca e como o momento em que Cher aparece com o vestido branco a marcou na adolescência. Pra quem não se lembra da cena em que o pai de Cher pergunta quem disse que "aquilo" era um vestido, e ela responde Calvin Klein, abaixo segue o trailer do filme (com esse diálogo):
Pela *bagatela* de 915 dólares o vestido pode ser seu. Nada contra quem pode, mas por esse preço eu não sou tão fã de Clueless - nem de Calvin Klein, nem de Francisco Costa - assim...
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Francisco Costa has announced that he'll be making the Calvin Klein dress that everyone wanted in the 90s: the white dress Cher (the character played by Alicia Silverstone) used in the movie Clueless. After having a meeting with the owner of Californian shop Confederacy, Ilaria Urbinati, he decided the eponymous dress should be relived. It will cost 915 dollars and will be available at Confederacy online - and I believe some Calvin Klein shops too. For this price, it better give me an Alicia Silverstone body too!
For those who don't know anything about it (I resisted the urge of writing 'clueless' here!), just watch the movie's trailer above - in the end of it, you'll have a short version of the scene where the dress shows up and Calvin Klein is mentioned. The scene is quite funny and it was memorable for all teenage girls in the mid-90s.
o famoso vestido da Calvin Klein - the famous Calvin Klein dress
Acho que todo mundo se lembra do grande debate do "size zero" de alguns anos atrás. Não sei se ele repercutiu muito no Brasil, mas por aqui foi algo que ficou por semanas em noticiários e jornais.
Demi superposta em Anja Rubik - mera semelhança ou transplante de cabeça?
mais acima: Filippa Hamilton em desfile e na campanha da Ralph Lauren
Na London Fashion Week de outono/ínverno 2010-11 o designer Mark Fast ousou ao colocar modelos "plus-sized" na passarela, especialmente porque seus desenhos são extremamente colados ao corpo e bem reveladores. E, cá entre nós, as "plus-sized" são modelos que vestem tamanho 40/42 brasileiro e tem 1.80m - só pra manter a perspectiva...
modelos "plus-sized" no desfile de Mark Fast de primavera/verão 2010,
onde ele usou pela primeira vez modelos fora dos padrões da indústria
Juntamente com Fast, a V Magazine de janeiro fez a "size issue", onde um editorial com Crystal Renn - a modelo "gordinha" mais famosa do mercado atual - aparece ao lado de Jaquelyn Jablonski, uma das modelos mais magras (e requisitadas) do momento. Nas fotos clicadas por Terry Richardson, Renn e Jablonski vestem as mesmas roupas e fazem as mesmas poses, mostrando que a beleza pode existir em diversos formatos e tamanhos. O que importa mesmo é o tamanho da carteira para poder comprar todas as roupas... hehehe.
anúncio da marca francesa Colette alterado em Photoshop, contra as modelos anoréxicas
Em meio a isso tudo, algo inesperado reacende de vez o debate sobre as modelos "plus-sized" e as "magras demais": a Lane Bryant, famosa marca de roupas e lingerie para "gordinhas" norte-americana, acusa a FOX e a ABC de não veicularem um comercial de lingerie seu alegando que ele mostra um "decote demasiado". O anúncio seria veiculado em comerciais nos programas American Idol e Dancing with the Stars, respectivamente.
O interessante nisso tudo é que ambas as emissoras veicularam, no mesmo dia, um comercial da Victoria's Secret, onde diversas modelos desfilam em lingeries sensuais.
Escrevi isso tudo para eu dizer: será que precisa de todo esse alvoroço SEMPRE? A Lane Bryant é uma marca para gordinhas, logo sua modelo tem que ser maior e, obviamente, ter um busto mais avantajado.
E mais: não seria tão mais fácil que modelos magras mas não anoréxicas fossem utilizadas? Quem já viu Gisele Bundchen ao vivo sabe muito bem que de "curvas" ela não tem nada. A menina é um vara-pau gigante. A justificativa para utilizar as modelos magras é até boa... Infelizmente elas aparecem melhor nas fotos, o trabalho de maquiadores, figurinistas e fotógrafos é reduzido à metade e as roupas caem melhor nelas, já que não existem "pochetinhas" sobrando pra nenhum lado, nem que elas façam muita força e se contorçam todas. E, mesmo assim, Gisele é considerada uma modelo "com curvas", que não serve para passarelas, a não ser que ela vá de biquini ou com quase tudo à mostra. Gisele hoje em dia de calça e casaco, nem pensar!
gisele sem luz nem maquiagem -
magrinha pero no mucho para a indústria da moda
O pessoal do mundo da moda poderia realmente começar a dar uma mãozinha para mudar as coisas. Sim, o trabalho é mais fácil se a modelo for tão larga quanto um Deditos, mas será que vale a pena? Pra mim é querer fazer prova já sabendo as respostas de antemão ou jogar um videogame já tendo visto na internet as dicas pra se chegar ao final. Stylists não tem que pensar no que fica melhor no corpo da modelo, o fotógrafo não tem que pensar no jogo de luz, o maquiador não tem que gastar produto no corpo inteiro e esconder pequenas falhas, os editores não precisam ver tantas fotos para escolher as melhores, os designers gráficos não precisam "photoshopar" tanto. E, principalmente, os designers podem criar o que bem entenderem, porque qualquer coisa pode ser colocada num cabo de vassoura e parecer legal. Não tem emoção nem desafio. É pim, pam, pum, acabou.
todo trabalho que existe por detrás das câmeras de um editorial -
ou de um desfile de moda (na primeira foto)
O corte de gastos pode ser enorme, mas a graça também é cortada. Sei lá, eu gostaria de trabalhar com desafios sempre. Tentar me superar. Vestir alguém de 1.80m, 55 quilos e proporcionalmente "ergonômica" é fácil. Quero ver é fazer uma mulher de 1.65m com 55 quilos e alguns "errinhos de fábrica" se transformar numa diva super sexy só com uma mera troca de roupa. Isso sim que é moda pra mim. O "empowerment" através das roupas, mudar a vida de alguém só por causa de um vestido seu. Fazer com que mulheres se sintam cada vez piores é um desserviço não só à moda, mas à sociedade.
"plus-sized" ou somente normais?
modelos e mulheres convidadas a participar do editorial da Glamour US de agosto de 2009