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Thursday, 5 August 2010

couro, pele, comida e moda / leather, fur, food and fashion

Ontem a máxima em Genebra foi de 31 graus; hoje a máxima em Lausanne (que fica a não mais que 70km de Genebra) foi de 16, combinada com muita chuva. E amanhã a temperatura volta aos 26 graus, com muito sol para acompanhar. O choque térmico é grande e agora eu entendo que os suíços comam comidas que eu considero levemente gordurosas e se apropriem de roupas bem quentinhas - além, é claro, de valorizar os dias de sol e verão como poucas pessoas na Terra.

Coincidências do destino ou não, estava hoje - dada a chuvarada - colocando meus milhares de e-mails não lidos em dia e me deparo com um RSS feed de um dos meus blogs preferidos, o Searching for Style, falando sobre como a indústria da pele é mal vista. E aqui estou eu, numa micro-cidadezinha da Suíça, de cara pro lago Léman e batendo os dentes de frio, pensando como seria bom ter um casaco de couro/pele. Nada melhor que escrever a respeito.


lindo no verão; mas no inverno deve gelar até o pensamento mais íntimo...


Nesse momento os psicopatas alardeantes de plantão já estarão na caixa de comentários sem ao menos haver lido o post inteiro. Gostaria de deixar bem claro que eu sou totalmente contra qualquer tipo de crueldade contra o mundo animal. Quem me conhece bem sabe que eu sou daquelas que pega papel pra catar formiga e colocá-la pra fora da mesa/cadeira/chão. Se eu ficar pensando que vegetais e frutas tem que morrer para serem colhidos já fico com remorso, imagina pensar que uma vaquinha, aquela coisinha bonitinha que dá vontade de abraçar e levar pra casa, tem que morrer pra eu comer um bifão gostoso? Gosto nem de pensar.

Pensar nessas coisas me faz querer parar de comer carne (e frango, peixe, porco, carneiro, etc)? Faz - e também me faz querer parar de comer frutas, legumes e verduras, acredite em mim. Mas essas coisas me fazem e/ou me farão *realmente* parar de comer? Óbvio que não. Explico o por quê: eu a-do-ro comida. Como poucas coisas nessa vida. Adoro cozinhar, adoro receber amigos em casa, adoro os cheiros, os sabores, a visão de pratos super bem feitos, as cores, tudo. Se me tirassem a comida, minha vida seria muito mais triste (aliás, acho que por isso que eu nunca seria anoréxica... bulímica talvez, mas anoréxica seria impossível). O que me faz ter a consciência mais limpa sobre minha comida é que sei que tento ao máximo (máximo do máximo do máximo messsmoooo) comprar comida orgânica, de comércio justo e, de preferência, local e na temporada certa.


foto do tiramisúper que fiz outro dia


Dá trabalho? Ô se dá. Tem que saber quando é que época de vagem ou de melão, quando os peixes estão reproduzindo e ter na cabeça de cor e salteado todas as cidadezinhas próximas a Barcelona para saber a procedência do tomate.

E dói no bolso? Ô se dói - marido pode até comentar no post e dizer quantas vezes a gente apertou daqui ou dali pra poder comprar leite orgânico ao invés do normal, ou comer um pouquinho menos pra poder ter as coisas certas dentro da geladeira.

Produtos orgânicos, de comércio justo, de temporada e locais são melhores para o meu organismo (menos química, menos coisas "escondidas" e menos peso na consciência) e também são melhores para o mundo. Eles não tem uma pegada de carbono (mais conhecido como carbon footprint - algo que imagino que nem se fala a respeito no Brasil...) tão grande, eles recompensam a cadeia produtiva de uma melhor forma e eles não agridem tanto ao meio ambiente. Falo "tanto" porque, convenhamos, nós somos seis bilhões de pessoas. E gente, sejamos honestos: não dá pra não ferrar o meio ambiente. Nós somos um mega über ultra gigante maxi elefante numa loja de cristal. Podemos ser simpáticos e delicados? Sim. Mas não quebrar nadinha é impossível, babe.


não é só orgânico não... tem que ser local e de comércio justo também!


E aí eu chego no post brilhante que a Alexandra do Searching for Style fez. Ela descreve como é a indústria da pele no Canadá - onde ela vive e teve como fonte diversos órgãos governamentais - e como a demonização da indústria é extremamente insensata se a comparamos com a indústria alimentícia. E também como existe uma diferença entre a indústria no Canadá - onde pesquisou e viu que os benefícios ultrapassam os malefícios - e indústrias de fundo de quintal chinesas ou russas, que matam bichos de forma brutal e só se preocupam com o lucro imediato.

Se pararmos para pensar, é o mesmo que escolher entre alimentos orgânicos/de comércio justo/locais/de temporada ou aquelas framboesas importadas do norte da França (para vocês)/maracujás importados do Brasil (para mim). Fora de época, viajou meio mundo, tomou outro meio mundo de agrotóxico na cabeça e ainda deve ter explorado muita gente no caminho. Isso porque não estou falando nem sobre carnes, porque aí o buraco é beeeeeeeeemmmmm mais embaixo. Bife de chorizo argentino (vocês substituam por um patê de fígado de ganso francês) é uma delícia, amore; mas querer ele toda semana no meu prato é saber que tem muita gente e muito bicho sofrendo somente pelo prazer da minha pança.


Eu ri.


Por isso minha gente, se eu posso dar uma grande dica - aliás, acho que deveria elevar à categoria de "contribuição para o engrandecimento e transformação do seu ser em uma melhor pessoa" se eu me cosiderasse Dalai Lama, coisa que não acontece... - ela seria: seja um comprador consciente e moderado.

Esqueça o que você ouviu da tia Cotinha que adora uma churrascaria ou do seu primo hippie-chic-vegetariano, o que você leu na Veja ou na Nova do mês passado. Tente obter uma coletânia GRANDE de informações sobre esses assuntos - digamos - "difíceis" porque eles são complicados de formar uma opinião sensata. E nem preciso dizer que Wikipédia não vale como "fonte" né... E moderação faz bem à tudo na vida. Ninguém precisa ser shopaholic nem viver de saco de batata amarrado com corda de embarcação na cintura; muito menos ser obeso mórbido comedor de uma vaca, três frangos e um porco por dia ou frutarian (aqueles que só comem o que cai das árvores porque "já está morto"). Compulsão serve para descrever os dois âmbitos do espectro, e esse tipo de extremismo não leva ninguém a absolutamente nada. Aliás, leva. E a gente tem mais de dois mil anos de história pra provar que o resultado final é sempre uma bela M****.




Por isso, se você quiser ter um casaco de pele (apesar d'eu achar uma coisa particularmente de doido se você não morar nas terras altas do Sul do país - que, aparentemente, estão agora debaixo de muita neve!), tenha. Sem crise de consciência nem culpa. Mas faça o seu dever de casa e compre um casaco vintage ou procure uma instituição de respeito que tenha seus casacos feitos com peles de animais locais, com controle e fiscalização séria. O mesmo serve para qualquer peça feita com couro ou de qualquer material com procedência animal. Eles serão bem mais caros que os de procedência duvidosa, mas você está pagando pela sua consciência livre e também por uma mudança nos hábitos de consumo daqui em diante. É encarar como uma aposta num futuro onde não se precisará pensar sobre comércio "justo" ou "digno" ou "respeitador do meio ambiente". E eu acho que essa aposta vale ser comprada.

P.S.: Recomendo ler o post da Alexandra no Searching for Style - é esclarecedor e interessante.


P.S.1: E recomendo ler o artigo da Newsweek sobre a Peta e a "eutanásia" que eles fazem com os cachorros que levam para seus abrigos. Hipocrisia tem um novo nome.

Tuesday, 16 March 2010

newsroll!

O newsroll serve pra gente colocar um monte de notícias sobre o mundo da moda em um só post. Muitas vezes a gente tem um monte de "notinhas" pra colocar, mas nunca chega a fazê-lo porque são pequenas demais para ocupar um post inteiro. Então vamos juntá-las em um só post e, se vocês quiserem saber mais a respeito de algo, só colocar nos comments que a gente elabora!

- a gigante da internet Net-a-Porter será comprada pela Richemont. Natalie Massenet, criadora da companhia, venderá seus 18% de ações da empresa, assim como outros investidores. Dessa forma a Richemont terá controle de 100% da empresa. A Richemont é a terceira maior companhia controladora de empresas de luxo;

-  Foram confirmados os rumores de que a marca Nicole Farhi seria vendida. A OpenGate Capital comprou a marca da French Connection PLC. Nicole, que fundou a marca em 1983, continuará no cargo de diretora de criação;

- a super modelo Agyness Deyn lançou sua primeira coleção de roupas para a gigante americana Barneys. A coleção tem um direcionamento para o "eco-friendly" e é vendida exclusivamente no Japão. A cada item da coleção comprado, será plantada uma árvore, que poderá ser acompanhada pelo número de série da roupa. Assim o cliente tem como ver que tipo de árvore e onde ela foi plantada;

- o prédio da Liberty foi vendido por 41.5 milhões de libras. A companhia usará esse dinheiro para pagar dívidas, já percorrendo o caminho de sanar problemas para uma venda da companhia como um todo. O prédio, apesar de vendido, terá a companhia como inquilina. Assim a Liberty continuará a atender seus clientes no prédio histórico, e único lugar onde se estabeleceu, desde os anos 20;

- a Chanel tentou acabar com rumores de que Karl Lagerfeld se aposentará. Hoje pela manhã um porta-voz da companhia disse à Vogue UK que Karl Lagerfeld tem um contrato de longo prazo com a companhia e que ninguém dentro da empresa pensa em substituí-lo. Os rumores que circundam o mundo da moda desde setembro do ano passado é que Karl se aposentaria e a Chanel estaria interessada em coloca Alber Elbaz, o gênio por detrás da grife Lanvin, em seu lugar.


se fosse Elbaz segurando essa sacola, a estória seria outra...

Friday, 26 February 2010

H&M strikes back



O New York Times descobriu no início de janeiro que a H&M da 35th street simplesmente destruía suas roupas que não eram vendidas, ao contrário da política da maioria das lojas do ramo em doar para caridade ou vender para lojas de segunda mão. Eles simplesmente cortavam buracos nas roupas e jogavam fora, na parte de trás da loja, para serem recolhidas pelos lixeiros.




Pra quem não conhece, a H&M é uma marca sueca especializada em moda de massas (uma espécia de equivalente sueco da Zara, digamos assim). Apesar dos preços baixos, eles não representam um ideal de comércio justo, roupas de qualidade e atitudes que sejam amigas do meio-ambiente, desigualdades sociais e afins. Quase todo seu outsourcing vem de fábricas na Índia, China, Marrocos, Turquia etc, e muitas dessas roupas passaram por mãos de crianças, idosos e pessoas sem nenhum tipo de proteção legal para que tenham condições mínimas de trabalho.

Esse tipo de discussão política não é muito forte no Brasil por diversos motivos. O maior deles é que quase todas as peças vendidas no Brasil são produzidos internamente e nós, ao contrário da maioria dos países emergentes, temos proteção em excesso dos nossos trabalhadores. Mas essa não deixa de ser uma discussão válida pois, afinal, cada vez mais essas marcas vão invadir o Brasil: Zara já é bem estabelecida no país e existem diversos rumores que a H&M vai abrir suas portas por aí.

No final de janeiro, foi descoberto pelo Financial Times alemão que grande parte dos materiais que a H&M vendia como orgânicos não eram tão orgânicos quanto eles anunciavam... 2010 começou bem pra gigante sueca.



Mas, como tudo no mundo dos negócios de fast fashion gira muito rápido, a marca tenta reverter a situação lançando uma mini-coleção de primavera/verão baseada em materiais renováveis, orgânicos e reciclados. Todos os materiais usados na construção das peças é denominado sustentável; ou seja, não agride o meio-ambiente.



Chamada de Garden Party, a coleção é super baseada em florais, com cores pastéis e um rosa bem fúcsia e um azul ciano. As roupas são bem soltinhas, num clima muito primaveril e cara de "sonhos de uma noite de verão".






Fiquem com o vídeo oficial de lançamento da coleção, que estará nas lojas da H&M a partir de 25 de março:




Sendo ou não uma forma de ganhar novamente as graças do público, a iniciativa valeu bastante Tomara que a maioria das marcas tenha essa vontade de fazer por livre e espontânea vontade (a.k.a. pressão pública) mais coleções baseadas em materiais sustentáveis e reciclados. Muita gente tem preconceito com coisas de segunda mão, mas quem resiste à uma peça dessas?




Se você estiver perto de uma, acho que vale a pena dar uma checada. Não por serem "sustentáveis", mas porque elas aparentam ser lindas mesmo!

 
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