Monday, 20 September 2010

modelo transexual brasileira estrela da Givenchy

Essa notícia é velha mas só agora que tive tempo de ler minha Grazia e dar de cara com ela. Lea T. é a musa e uma das faces (e corpo!) da campanha outono-inverno da Givenchy. Até aí nada né... dezenas de modelos brasileiras são estrelas de campanhas de marcas famosas todas as estações. A grande diferença é que Lea T. nasceu Leandro Cerezo, filho do jogador de futebol Toninho Cerezo.


Toninho Cerezo na seleção brasileira de 1982 - terceiro da esquerda para a direita na fileira inferior


Lea T.


Meu marido me falou que saiu uma pequena notícia no Globo online a umas duas semanas que enfocava somente no fato de que Lea era o filho transexual de Toninho e que havia virado modelo, aparecendo em revistas - isso sem contar a foto da Vogue Paris cortada com o intuito de não mostrar o início da genitália masculina de Lea. Pelo teor (e pelo mini-tamanho) da notícia dá pra ver como o assunto é ainda extremamente delicado na cultura brasileira e como ainda há um preconceito absurdo contra os transexuais.


a foto da Vogue Paris que o Globo online estrategicamente cortou para não mostrar parte da genitália de Lea


A reportagem da Grazia tem um enfoque muito mais voltado à estória de Lea T. e como ela se tornou a musa da coleção de Ricardo Tisci. Nela Lea descreve como foi difícil descobrir que era transexual e como Ricardo - na época um designer ainda desconhecido - a incentivou a ir a uma festa de salto alto e com as sombrancelhas um pouco descoloridas. Depois disso ela finalmente conseguiu entender mais sobre sua sexualidade e, com a ajuda de Ricardo (e outros amigos, claro), foi se transformando aos poucos em Lea T.


Lea na campanha da Givenchy (ela é a segunda da direita para a esquerda)


Ricardo havia contratado Lea como sua assistente pessoal e esse contato constante mostrou a Tisci que Lea era "muito feminina - super frágil, muito aristocrática; uma verdadeira deusa". Assim, Tisci usava Lea para ser sua modelo de provas e, com a decisão de fazer a coleção de outono-inverno 2010-11 baseada na androginia, pediu que Lea fosse sua musa e modelo da coleção. Depois do lançamento da coleção Lea apareceu na Vogue Paris nua, cobrindo parcialmente sua genitália com a mão e deu entrevista a Vanity Fair italiana falando sobre as dificuldades que teve para se descobrir, para que sua família aceitasse sua decisão e o preconceito que sofre todos os dias.


Lea: uma das reportagens principais da Vanity Fair italiana


dá ou não dá pra ver que Ricardo Tisci está mais do que certo ao dizer que Lea é super feminina?


Lea vive na Itália desde criança - se mudou para lá quando seu pai foi contratado para jogar pelo Roma - e estuda veterinária. Já tomou diversas séries de hormônios que transformaram seu corpo, dando uma silhueta mais feminina, e pretende fazer a cirurgia genital assim que a parte burocrática esteja resolvida. Como toda "boa" burocracia, a italiana é um primor de lentidão. E dá pra imaginar quanto tempo deve demorar para que uma pessoa consiga passar de sexo masculino para o feminino no papel...


foto de Lea na reportagem da Vanity Fair


Mas acredito que o mais importante dessa estória toda é saber a dificuldade que uma pessoa passa somente para ser feliz. Lea aparentemente não tem apoio familiar (como se pode ler na ótima matéria do Guardian sobre a entrevista da Vanity Fair) e sofre com os efeitos da transformação (os hormônios tem efeitos colaterais fortíssimos). É muito triste pensar que ainda estamos presos a conceitos que fazem com que milhares (se não forem milhões!) de pessoas sejam infelizes diariamente. Sejam gays, lésbicas, transexuais, gordinhos, magrinhos, baixos, altos, negros, brancos, asiáticos, sempre achamos uma forma de colocarmos pessoas em "rótulos" e julgarmos sem ao menos darmos uma chance para que essas pessoas possam mostrar quem realmente são.


Ricardo Tisci e suas "musas": foto para a W magazine (Lea é a modelo central)


Olhando para as fotos de Lea claramente dá pra ver que ela é uma mulher. Esqueça beleza ou gosto pessoal, as imagens passam a feminilidade e a fragilidade clássicas de uma mulher - e que Ricardo Tisci descreveu ao falar de Lea. O triste é saber que a maioria das pessoas ainda preferiria lidar com um Leandro "feminino" mas com namorada e infeliz, do que com Lea T., supermodelo e estrela da campanha da Givenchy. Mas, como ela mesma disse, "prefiro tentar ser feliz do que saber que vou ter que viver minha vida inteira infeliz". Bom pra ela.

1 comentários - Comente aqui!:

Deinha Rocha said...

A pessoa eh bonita viu!! Arrrasaaaaa!

!Xoxo!
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